domingo, 21 de dezembro de 2008

Sermos

Quem não sente
O peso das palavras,
Que malhe a cabeça
Com a marra da
SenSibilidaDe

Tenha no cabedal
A flor

As marcas do anjo
Querobem

Os pesos de Colombo
E de Sísifo


E saiba que
a cada restan
te
de tempo
Mercúrio passa
Toxicamente
Alisando aqueles
Que despesam
a potência do sermo

.....M.C.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Pele literal


Poema Sexo
Olhar tua pele
E escrever com a língua
as linhas do arrepio
.
Olhar-te o monte
e cavar
com dentes
curvas de fome
.
descer
equatorial
dividindo em duas
tuas (e minhas) vontades
.
.
(...respira...)
.
.
Quero abrir pro meu mundo
Teu vale, tua lava
Queimar, queimar
Até amanhecer(de novo)
Cinza em teus braços...
.
........Michel Costa
*************************************
Poema Afobiado
.
É na crina dos instintos
Que me agarro descabelado
.
Na esquina dos sentidos
De suor e espasmos
.
Coração a galope
que corre sem chegar
.
A tensão da espera
que não venha o findar
.
Pele curtida na língua
E no suor
.
Crepúsculo de meu Eu
Que desabe sobre ti,
Cama de desejos
.
....Michel Costa
*****************************
Agógica
.
queria fazer música...
tuas curvas em glissando
tocando com dedos arqueados
A respiração agógica
de dois corpos em sinfonia
.
........Michel Costa

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Dos vivos sabemos

Mas como matar fantasmas?
A frieira quente que come os dedos...

Como matar fantasmas...
O medo que
..pula
Na esquina ou no andor

e do mesmo céu
das mesmas estrelas


...
ninguém entende os fantasmas
Esquecem que vem da flor
Antes do espinho...
Planta criada à des-razão
Raiz de peito,
mas

ninguém entende os fantasmas
mesmo.
Ula
o Pulo

bola pra frente
e as pegadas no sumiço


...(Michel Costa)

domingo, 28 de setembro de 2008

Sulcos, Cotidiano














Um sulco
Um líquido aberto no tempo
Uvas e uma lembrança
Todo domingo é dia de uva
Um suco




Assim diz meu pai
e assim faço
Todo domingo

Mil olhos negros
e neles mil rostos meus
Em cada rosto uma saudade
Triturada
Riscada no templo-motor
Li.qu.i.di;fica.dor




Depois de batido
Meu sumo
Bebo


E já é segunda...





...(Michel Costa)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

quando...até.

Poema



Quando os olhos falam
o que a boca cala
e o medo esconde


O riso amarelo
que encapa a fronte

Quando o onde se foi
E o não sei
nada
diz, portanto...


quando as palavras
caem das flores
para alimentar as raízes

Eu silencio
Meu Canto.

Sou margem
água ferida e cristalina

Sou pária
numa dança só de simetria

Neste canivete aberto em salão
Passos riscados na multidão

E neste balé da minha vida
quanto mais amor, mais pinga
Uma labareda de 10 quilos*

"doce pra quem descobrir que eu sou triste"**



**Verso de Antonio Mariano.
*Poema de Michel Costa

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

bocas


engraçado...

ao vermos um sorriso
nada mais é,
que só riso.

riso, só.
parcela dividual
in vida

ponto racional

apenas riso

Solitário

...Michel Costa

domingo, 7 de setembro de 2008

A quem maágua[do]

É preciso trabalhar
Sem trégua
Sol a Pino, revolver
A má-água da terra
Secar a areia fina
E debulhar os Grãos

É preciso trabalhar sem régua
Secar o suor das mãos,
Engilhadas por pão e calmaria
Pouvilhos nas feridas
De uma tarde Aberta

É preciso a quem interessar possa
Dormir sonhos de paz
E acordá-los nos pés
Caminhando os bons
e os maus rios
Cheios de pão e pó...

E as árvores continuam verdes
no Caminho...


...Michel Costa

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sorte de hoje: A felicidade está no horizonte da sua vida

Antes de lá
que estivesse aqui...
Horizonte inalcansável
uma mentira amiga

A felicidade é estar presente
feito gota de orvalho
quando beija a folha
quando cheira-flor

E que cansa de esperar
Pois "a vida é pra valer
a vida é pra levar"
êh pai vinícius
Velho Saravá

domingo, 24 de agosto de 2008

Aos mortos em Vida
não despenco lágrimas
sem abanar o pó
da lembrança
sem ritmo

Aos mortos em Vida
Não me dou lírio.
nem cicuta.
Já basta a vida Morta.

Sobre os mortos em Vida
Que me esquecem andando
e tropeçando na própria cova,
o que pensar?

Aos Vivos, caminhem comigo


....Michel Costa

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Último e verso

Antes do fim,
Vem o último verso
Um pouco de mim,
a frente do avesso.

Antes de mim,
O primeiro verso.
Cidadão talhado
Com o mínimo cuidado
por olhos e marés...

Rouge Carmim.
É o último verso
Do tempo tártaro.
Pele esquecida da vida
Que nem o livro roeu...

Antes? Qualquer coisa...

. . . Michel Costa

sábado, 9 de agosto de 2008



Tanto verso...
tanta coisa boa...
mas o melhor está além das letras
que é quando o coração se abre
pra elas saír
em

Quando a garganta seca
para elas passarem

E o mesmo coração se cala
para falar de amor



(Michel Costa)

Foto por Michel Téo Sin

terça-feira, 5 de agosto de 2008

sede tácita


Tato, tato, tá...tu...
É quando o peito em

silêncio

pede diálogos em
silêncio

Abrindo uma ponte entre
dois Mundos, o
mEu
e o de fOra
Bolas

Tece pontos de ar,
Linha cruz
e vela.
Fogo, ensejo de mar.
Uma presa calmaria
Outra
so

li dão

Quandos dedos (ainda) prenderei
Pra poder acordar?
...
Michel Costa

domingo, 3 de agosto de 2008

Casa nos sonhos

Um fogão
com entrada USB...
Cozinhava idéias?

Uma noiva sem rosto...
Quem será ela?

Centrífuga de sons
e retalhos lançados...

Que dirá a alma
quando abrir aos olhos?

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Caçado

É ter na mira o mote
à moita do sentido
Na espera silenciosa
Do primeiro bote

Ter o gosto acre
da presa vernácula
que nos salta das mãos

os olhos da pele
Em sentido São...


Michel Costa

terça-feira, 29 de julho de 2008

Um dia me vi futuro
Com uma casa de flores
Saindo pela janela

E voando para loonge,
Fugiam. fugiam.
As cores tomavam outras
e também outras as flores

Neste jardim, eram de pedra
Os botões gozozos...

Assim como estes dedos
Estas cordas
o fóssil ambulante de meus arcos
E o vento velho
clamando tempestade


Neste jardim, eram de pedra
Os botões gozozos...

domingo, 20 de julho de 2008

Eu Teatro




















Sob a luz da ribalta, Madama Butterfly, de Puccini
Já no palco da vida, o ator principal faz sua cena...





(Theatro Mvnicipal de São Paulo)
Foto by Serginho Costa

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Antes de acordar
Minha alma orvalha
E levanto impregnado
De mim

Escorro pelo mundo,
Cheirando, táctil,
As curvas da Estrada...

É a minha condição!

Só assim retorno
Repleto de outras almas
Onde também restei...
Até não ser inteiro
Porém mais belo

Me olho no espelho
E vejo tantos rostos
Traços que nunca vi...
Espumas de mar
e Ana, e Luís
De fera, de pedra
Até mesmo a alma do ar
Com seus pés de vapores
Que tocam o chão sem marcar

És meu orgulho
Ser todo em mim
Durante toda nossa vida...

terça-feira, 15 de julho de 2008

Quiçá


Nem sempre sabem
O que dizem os poetas...

Quando digo Rio
Vai além da águas
e da minha Boca

Por isso sou Pássaro Verde.
Tenho sede
que cruza o rio, mata rio
e sacia na terra
(...)
Nem sempre entendo
o que sinto poeta

Fantasmas de águas
E revoltas ribeirinhas
um choro verde
e um vento me treme

poeta Nem sempre poeta
Humano em tantos ramos
Uma floresta de sentidos
Um morro sem planos

Poeta quiçá poeta....

(Michel Costa)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

As linhas


As Aranhas
Arquitetas do Universo
Tecem poemas,
Muito antes deles existirem...


E voam, voam paradas
Feito telas de ar
Uma foto-satélite
Orbitando a realidade
Se aproximando, se aproximando
Até a mente humana
Captar seu recado:

Poesia são palavras orvalhadas
Na teia da vida


(Michel Costa)

Foto by Sergio Hildo (Gracias!!)

segunda-feira, 9 de junho de 2008











O que acontece com as pedras

Se esvaindo pelos dedos?
Onde estão os fios de lã
Que com tanto amor as segurava?
Foram as moiras?
Essas facas...tão reais...foi isso?

Sinto um sonho querendo acordar...
O que fazer, quando,
As coisas ganham sentido demais?
Será o real este acizentado?

São 07:00h e o sono não veio
Não tem poesia? Não, não.
O que me falta então?

Desconheço...

O que preciso...

Minhas flores cheirando pra mim...
A língua lisa
E os absurdos
Se escorando Em minha mente...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Moenda Mar





Meu cais de palavras
Aboio das sereias
Filho dos avessos...
Vem me torcer o mel

Vem trazer meu lume
de mar e verde
Trazer meu leme
Feito de ar e céu

Aporta no peito
tuas fragas
Aperta na ponta a lança
Vem trazer o Sol

Vem,
Tu moinho
Espreme minha cana
Bebe meu sumo
Espalha sobre a terra
E faz nascer usinas



Que de mim quero o pó
Fecundante do mundo
E encher outros prumos
de novas paisagens



(Michel Costa)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Beradêro


Dentre tantos sonhos, este é acordado...é escutado, é sentido... a imagem daquele que longe de casa olha para a pá do ventilador, vê o sol e a poeira da estrada, e lembra do ventre donde saiu a correr sem pensar...


Beradêro
Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do Equador
E a voz da Santa dizendo
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor

A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma motorista
É a cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista
O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha céu da boca paulista

Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor os sem teto
Os sem paixão sem alqueire
No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de Paulo Freire

A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins, não contudo
Pé quebrado verso mudo
Grito no hospital da gente

São sons, são sons de sins
São sons, são sons de sins
São sons, são sons de sins
Não contudoPé quebrado, verso mudo
Grito no hospital da gente


(Chico César)

terça-feira, 27 de maio de 2008

Cabelos das águas

Um anjo Loiro
Desses, da Incompreensão
Pousou nas minhas águas
Durante o sono...

E como era bela!
Seus cabelos, ah...seus cabelos
Me escorriam à face
Numa tão reta silhueta
Que alinhava o Sol...

Me disse das penas, punhos
Caiu nos meus braços
Pediu colo, disse "te amo"
E partiu...
Antes que o Agosto
A levasse nas chuvas...

Encontrei nisso sua classificação
Assim como estas rimas
Que de tanto soarem
Espantaram o sono, os anjos
As águas e os cabelos,
Deixando apenas o sol
Sussurrando nas frestas do caminho
O dia em meus olhos...


(Michel Costa)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Café Saudade



Sonhei ter feito café
Um velho café
de ordem diáfana, para minha avó
que à categoria chamo Mãe.

Desde que ela o provou
Disse ter o gosto de saudade...
Não acreditei até prová-lo
e no mesmo instante chorei
como não fazia desde bebê,
quando me desliguei do ventre
e me liguei ao umbigo do mundo


Lá estavam as memórias
as corroídas tardes
e as espumantes luas
as sombras de agosto
que me trilhavam meu avô
meus cachorros
minhas aventuras

Foi estranho


Cada pessoa adquirindo sabor
Menta, gengibre, chocolate
Tardes limão
E o Sol não fecundado
Se espalhando sangue
Para nascer a noite...

Nessa hora olhei pra janela
e vi que o outono chegara...


(Michel Costa)