domingo, 28 de setembro de 2008

Sulcos, Cotidiano














Um sulco
Um líquido aberto no tempo
Uvas e uma lembrança
Todo domingo é dia de uva
Um suco




Assim diz meu pai
e assim faço
Todo domingo

Mil olhos negros
e neles mil rostos meus
Em cada rosto uma saudade
Triturada
Riscada no templo-motor
Li.qu.i.di;fica.dor




Depois de batido
Meu sumo
Bebo


E já é segunda...





...(Michel Costa)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

quando...até.

Poema



Quando os olhos falam
o que a boca cala
e o medo esconde


O riso amarelo
que encapa a fronte

Quando o onde se foi
E o não sei
nada
diz, portanto...


quando as palavras
caem das flores
para alimentar as raízes

Eu silencio
Meu Canto.

Sou margem
água ferida e cristalina

Sou pária
numa dança só de simetria

Neste canivete aberto em salão
Passos riscados na multidão

E neste balé da minha vida
quanto mais amor, mais pinga
Uma labareda de 10 quilos*

"doce pra quem descobrir que eu sou triste"**



**Verso de Antonio Mariano.
*Poema de Michel Costa

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

bocas


engraçado...

ao vermos um sorriso
nada mais é,
que só riso.

riso, só.
parcela dividual
in vida

ponto racional

apenas riso

Solitário

...Michel Costa

domingo, 7 de setembro de 2008

A quem maágua[do]

É preciso trabalhar
Sem trégua
Sol a Pino, revolver
A má-água da terra
Secar a areia fina
E debulhar os Grãos

É preciso trabalhar sem régua
Secar o suor das mãos,
Engilhadas por pão e calmaria
Pouvilhos nas feridas
De uma tarde Aberta

É preciso a quem interessar possa
Dormir sonhos de paz
E acordá-los nos pés
Caminhando os bons
e os maus rios
Cheios de pão e pó...

E as árvores continuam verdes
no Caminho...


...Michel Costa