quinta-feira, 2 de abril de 2009

A fonte

Me era uma vez
Não há muito tempo
A fonte
de Desejos
moedas e do ensejo.


Por ela passaram copos
Baldes e árvores. Cada
qual com seu intento:
Ser pássaro, ser folha
e objeto.

Desaguava nas ondas do vento
da respiração da terra
até sumir uma rocha do rio.

Saí fortuito à ver o espelho
E vi que uma alma minguava.
Inumana, tácita e distante
Sem reflexo, seca e passante...

Na solidão das pedras
As águas eram quem tinham sede.

M.C.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Cores e Lírios

É sempre quando alguém vem e nos desperta um poder de céu nos olhos. Com carinho,




Menina lírio

dos olhos de lagoa
ginga no vento tua vaga
e teus véus

Menina lírio
dos olhos navegáveis
Porto de atenção
E inquietas brumas

(...)


Ancoro neste rio e penso:

Quantas e quais imagens
para descrever um sonho?



Menina Lírio dos olhos...




M.C.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Sermos

Quem não sente
O peso das palavras,
Que malhe a cabeça
Com a marra da
SenSibilidaDe

Tenha no cabedal
A flor

As marcas do anjo
Querobem

Os pesos de Colombo
E de Sísifo


E saiba que
a cada restan
te
de tempo
Mercúrio passa
Toxicamente
Alisando aqueles
Que despesam
a potência do sermo

.....M.C.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pele literal


Poema Sexo
Olhar tua pele
E escrever com a língua
as linhas do arrepio
.
Olhar-te o monte
e cavar
com dentes
curvas de fome
.
descer
equatorial
dividindo em duas
tuas (e minhas) vontades
.
.
(...respira...)
.
.
Quero abrir pro meu mundo
Teu vale, tua lava
Queimar, queimar
Até amanhecer(de novo)
Cinza em teus braços...
.
........Michel Costa
*************************************
Poema Afobiado
.
É na crina dos instintos
Que me agarro descabelado
.
Na esquina dos sentidos
De suor e espasmos
.
Coração a galope
que corre sem chegar
.
A tensão da espera
que não venha o findar
.
Pele curtida na língua
E no suor
.
Crepúsculo de meu Eu
Que desabe sobre ti,
Cama de desejos
.
....Michel Costa
*****************************
Agógica
.
queria fazer música...
tuas curvas em glissando
tocando com dedos arqueados
A respiração agógica
de dois corpos em sinfonia
.
........Michel Costa

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Dos vivos sabemos

Mas como matar fantasmas?
A frieira quente que come os dedos...

Como matar fantasmas...
O medo que
..pula
Na esquina ou no andor

e do mesmo céu
das mesmas estrelas


...
ninguém entende os fantasmas
Esquecem que vem da flor
Antes do espinho...
Planta criada à des-razão
Raiz de peito,
mas

ninguém entende os fantasmas
mesmo.
Ula
o Pulo

bola pra frente
e as pegadas no sumiço


...(Michel Costa)

domingo, 28 de setembro de 2008

Sulcos, Cotidiano














Um sulco
Um líquido aberto no tempo
Uvas e uma lembrança
Todo domingo é dia de uva
Um suco




Assim diz meu pai
e assim faço
Todo domingo

Mil olhos negros
e neles mil rostos meus
Em cada rosto uma saudade
Triturada
Riscada no templo-motor
Li.qu.i.di;fica.dor




Depois de batido
Meu sumo
Bebo


E já é segunda...





...(Michel Costa)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

quando...até.

Poema



Quando os olhos falam
o que a boca cala
e o medo esconde


O riso amarelo
que encapa a fronte

Quando o onde se foi
E o não sei
nada
diz, portanto...


quando as palavras
caem das flores
para alimentar as raízes

Eu silencio
Meu Canto.

Sou margem
água ferida e cristalina

Sou pária
numa dança só de simetria

Neste canivete aberto em salão
Passos riscados na multidão

E neste balé da minha vida
quanto mais amor, mais pinga
Uma labareda de 10 quilos*

"doce pra quem descobrir que eu sou triste"**



**Verso de Antonio Mariano.
*Poema de Michel Costa